SÍLVIO ROMERO
Figura 21 – QR CODE vinculado a Sílvio Romero
Sílvio Romero nasceu na cidade de Lagarto (Sergipe), em 1851, e aos doze anos foi estudar no Rio de Janeiro. Anos depois, retorna a Sergipe e segue rumo a Pernambuco, onde sua capital, Recife, era símbolo de um movimentado trânsito intelectual, devido à presença da Faculdade de Direito de Recife, na qual Romero ingressou. Na academia, teve contato com Tobias Barreto e, junto com outros alunos, formaram a Escola do Recife, que visava aperfeiçoar e renovar a intelectualidade brasileira.
A partir de contatos com os mais diversos estudos e escolas filosóficas, Romero passa a ter contato com as teorias do evolucionismo de Herbet Spencer (1820-1903), o darwinismo social, que tinha como premissa de análise social, a partir da premissa de diferenças culturais, físicas e intelectuais entre os povos.
Sílvio Romero percorreu vários espaços da intelectualidade nacional, como por exemplo, na atuação jornalística, estando ainda no 2º ano de seu bacharelado em Direito, começando assim, sua carreira como poeta e ensaísta [1] tecendo diversas críticas aos mais variados políticos e intelectuais. Diferentemente da relação amistosa estabelecida com Tobias Barreto, o mesmo não aconteceu com Machado de Assis. As relações ficavam cada vez mais ásperas, revelando disputas entre “homens de letras” e “homens de ciência”[2], onde Assis criticava Romero pela sua literatura e didatismo com inspirações científicas. Porém, a réplica do intelectual sergipano foi peremptória, pois fora
atacado justamente nos aspectos em que acreditava estar sua maior contribuição, o mestre da Escola de Recife reagiu ao artigo de forma virulenta, em Machado de Assis, estudo comparativo de literatura brasileira (1897), ao comparar, a partir de um critério evolucionista e etnográfico, a obra de dois autores da época: Tobias Barreto e Machado de Assis.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: cientistas instituições e questão racial no Brasil – 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, p. 32, 1993
Em 1875, vai para o Rio de Janeiro, onde traça seu caminho enquanto juiz municipal, na cidade de Paraty. Poeta e professor de várias instituições cariocas, como a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais e a Faculdade Livre de Direito[3]. Ainda na capital, fez parte do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Letras e em 1888 lança sua obra História da Literatura Brasileira. Juntamente com outros intelectuais, como Capistrano de Abreu, Rui Barbosa e Afonso Celso, Sílvio Romero se debruçou sobre o tema da educação, explanando suas ideias em textos sobre Filosofia, Literatura e Sociologia, endereçando, em muitos casos mesmo sem resultados, suas observações para o Imperador D. Pedro II [4]. Seus escritos educacionais enfatizavam as preocupações do autor em diversas searas do tema, como a valorização e aperfeiçoamento do docente, a gratuidade do ensino, conhecer as características de constituição do país, entre outros.
Sendo um intelectual de amplas abordagens, Romero interage com os processos políticos de seu estado natal, Sergipe, tendo grande impacto, como por exemplo, na participação na “(...) deposição do governador José de Calasans.”[5] Entre 1900 e 1902, foi um dos representantes do estado, como deputado federal. Entre várias publicações, antes de falecer, publica em 1914 “Minhas Contradições”.
Devemos lembrar que o momento histórico que estamos nos referindo foi propício para um entrelaçamento entre prática política e intelectual, e dessa forma, vemos em Sílvio Romero, o estudo e a análise de que “a nação, portanto, é o elemento a ser representado nesta nova escrita que se compromete com determinado “povo” de determinado “lugar”[6]. Logo, Romero passa a ser um dos grandes nomes, dentro do debate sobre o mestiço no Brasil, defendendo que haveria desigualdades entre as raças humanas, determinando assim, uma hierarquização social, a qual resultaria na configuração do cidadão brasileiro, tecendo assim, diversos comentários sobre a composição étnica nacional.
Figura 22 – Silvio Romero
Fonte: Acervo particular do autor, Janeiro/2022.
Todos os debates propostos por Sílvio Romero, traduzem sua perspectiva de compreensão nacional, as quais perpassaram, por exemplo, pelo direito, política, educação, filosofia, história e sociologia, elementos esses, que pautaram todo um diálogo do que ocorrera outrora, e suas relações com o presente e o futuro do Brasil.
Exercício de aplicação
1. Após a leitura do texto abaixo, responda o que se pede:
Crítico literário por profissão, ensaísta, bacharel e professor da renomada Faculdade de Direito do Recife, autor de uma sistematizada História da literatura Brasileira (1960), Sílvio Romero ganhou notoriedade no cenário intelectual brasileiro por seu caráter polêmico, destruindo tudo e todos, matando seus adversários com sua hábil capacidade de agressão. Mas, a este ensaísta preocupado com os mais diversos problemas do Brasil de sua época, nascido em Lagarto, em 1851, as interpretações brasileiras ganham foros de verdade, de ciência, a partir de seu naturalismo literário, divulgada em sua obra mestre, que é História da Literatura Brasileira.
COSTA FILHO, Cícero. Turbulência de ideias: Sílvio Romero,
entre a crítica literária e a Sociologia de seu tempo (1851-1914). Disponível em: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/caminhosdahistoria/article/view/2629/2628. Acesso em:
a) O texto fala sobre as várias atuações do sergipano Sílvio Romero. Considerado como figura de destaque no cenário nacional, ele percorreu vários aspectos da sociedade brasileira. Dessa forma, cite três espaços onde os debates de Romero se fizeram presentes.
b) Quando falamos em teorias raciais, vários são os nomes que lembramos, dentre eles, Sílvio Romero. Sendo assim, cite como Sílvio Romero considerava a presença do mestiço dentro da sociedade brasileira.
Notas:
[1] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, s.d, n.p.
[2] SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: cientistas instituições e questão racial no Brasil – 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras,1993, p. 32.
[3] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, op. cit.
[4] LEMOS, Wagner Gonzaga. Literatura, Ensino e Legitimação: Sílvio Romero e José Veríssimo em Combate. Tese (Doutorado) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2019, p.111.
[5] Ibid., p. 113.
[6] ALMEIDA, Luiz Alberto Scotto de. A construção multíplice do intelectual Sílvio Romero. In: Língua e Literatura, Florianópolis, Santa Catarina n. 28, 2004, p. 234.


